SEO30 de setembro de 2026

O que é o Google Search Console e como o usar numa empresa

O que é o Google Search Console, o que mostra cada relatório, como configurar e dar acesso à agência, e o que o gestor deve ver todos os meses.

Dappio

O que é o Google Search Console e quem o deve usar

O Google Search Console é uma ferramenta do Google que permite perceber como um site aparece e funciona nos resultados da Pesquisa Google. Em vez de mostrar apenas quantas pessoas visitaram o site, ajuda a responder a questões anteriores à visita: em que pesquisas o site apareceu, quantas vezes foi mostrado, quantos cliques recebeu e se o Google consegue encontrar e indexar corretamente as suas páginas.

Para uma empresa, isto transforma dados de pesquisa em informação útil para decidir onde melhorar conteúdos, corrigir problemas técnicos e acompanhar a visibilidade orgânica. Não é necessário consultar todos os relatórios diariamente. O valor está em saber quais indicadores observar e em identificar alterações que possam afetar a capacidade de potenciais clientes encontrarem a empresa no Google.

Uma ferramenta do Google para medir a presença do site na pesquisa

O Search Console funciona como uma ligação entre o site e a forma como o Google o interpreta. Permite confirmar se o motor de pesquisa consegue encontrar e rastrear páginas, acompanhar problemas de indexação e analisar o desempenho do site nos resultados de pesquisa. Também mostra as consultas que fazem uma página aparecer, os cliques recebidos e outras informações relacionadas com a presença do site no Google.

Na prática, isto permite distinguir dois problemas muito diferentes. Uma página pode não estar a gerar visitas porque praticamente não aparece nas pesquisas relevantes. Mas também pode ter muitas impressões e receber poucos cliques. No primeiro caso, pode ser necessário trabalhar a relevância, o conteúdo ou a indexação. No segundo, pode fazer sentido analisar a posição, o título apresentado nos resultados ou a intenção de pesquisa.

É esta visibilidade sobre o que acontece na Pesquisa Google que torna o Search Console particularmente importante para SEO. Em vez de trabalhar apenas com suposições, a empresa consegue observar dados relacionados com a procura real e com a forma como as suas páginas estão a ser apresentadas.

Quem o usa numa empresa: gestão, marketing, agência e programador

O Search Console não é apenas uma ferramenta para especialistas em SEO. O próprio Google identifica proprietários de empresas, profissionais de marketing, administradores de sites e programadores entre os principais utilizadores. Cada perfil, no entanto, precisa de níveis diferentes de detalhe.

A gestão não precisa de analisar cada erro técnico, mas deve perceber se a presença orgânica da empresa está a crescer, a perder visibilidade ou a enfrentar problemas importantes. Para um gestor, o Search Console pode servir como uma fonte de contexto para avaliar o desempenho do canal orgânico.

A equipa de marketing tende a trabalhar mais diretamente com os dados de desempenho. Pode identificar pesquisas relevantes, páginas que estão a ganhar ou perder tráfego e oportunidades para melhorar conteúdos existentes. Uma agência de marketing ou SEO utiliza a mesma informação para acompanhar resultados, investigar quedas e definir prioridades de otimização.

Já o programador ou responsável técnico entra sobretudo quando os dados revelam problemas relacionados com rastreamento, indexação, dados estruturados, desempenho técnico ou alterações no site. O Search Console pode ajudar a localizar o problema, mas a correção muitas vezes acontece no próprio site.

Assim, não é necessário que todas as pessoas da empresa dominem a ferramenta. O importante é que cada responsável consiga retirar dela a informação necessária para a sua função e que exista alguém encarregado de acompanhar os sinais que podem afetar a presença do site na pesquisa.

Para que serve o Google Search Console: os relatórios principais

O Google Search Console serve para acompanhar três áreas essenciais: como o site aparece na pesquisa, se o Google consegue encontrar e indexar as páginas e se existem problemas técnicos que podem limitar a visibilidade. Cada relatório responde a uma pergunta diferente, por isso é mais útil começar pela decisão que a empresa precisa de tomar do que tentar analisar todos os dados ao mesmo tempo.

RelatórioPergunta de negócio
DesempenhoQue pesquisas e páginas estão a gerar visibilidade e cliques?
Indexação de páginasAs páginas importantes estão disponíveis no Google?
Inspeção de URLO que sabe o Google sobre esta página específica?
SitemapsO Google consegue encontrar e processar o mapa do site?
Core Web Vitals e HTTPSExistem problemas de experiência ou segurança técnica?
Segurança e ações manuaisExiste algum problema grave que possa afetar a presença no Google?
LigaçõesQue páginas recebem mais ligações internas e externas?

Desempenho: que pesquisas trazem cliques e impressões

O relatório de Desempenho mostra os cliques, impressões, CTR e posição média do site na Pesquisa Google. Também permite analisar os dados por consulta, página, país, dispositivo e outros critérios.

Para uma empresa, é aqui que surgem perguntas como: que serviços são mais procurados, que páginas atraem mais visitas e onde existem muitas impressões mas poucos cliques? Uma página que aparece frequentemente e recebe poucos cliques pode justificar uma análise do título, da descrição e da correspondência entre o conteúdo e aquilo que o utilizador procura.

Indexação de páginas: o que está e o que não está no Google

O relatório de Indexação de páginas mostra quantos URLs conhecidos pelo Google foram indexados e quantos ficaram de fora, incluindo os motivos associados.

Nem todas as páginas não indexadas representam um problema. Duplicados, redirecionamentos ou páginas deliberadamente excluídas podem aparecer nessa categoria sem exigir qualquer correção. O importante é confirmar se páginas comerciais relevantes, artigos estratégicos e outras páginas que devem aparecer na pesquisa estão efetivamente indexadas.

Inspeção de URL: o estado de uma página concreta

Quando a dúvida está numa página específica, a Inspeção de URL oferece uma análise mais direta. A ferramenta mostra o que o Google sabe sobre esse URL, permite testar a versão disponível no momento e ajuda a investigar problemas de indexação. Também pode ser utilizada para solicitar a indexação de uma página individual.

É especialmente útil depois de publicar uma página importante, corrigir um problema técnico ou perceber que determinado URL não aparece no Google.

Sitemaps: indicar ao Google as páginas a rastrear

Um sitemap ajuda o Google a conhecer os URLs relevantes de um site. No Search Console, o relatório de Sitemaps permite indicar onde está esse ficheiro e verificar se o Google conseguiu lê-lo ou encontrou erros durante o processamento.

Submeter um sitemap não garante que todas as páginas serão rastreadas ou indexadas. Funciona como um sinal que facilita a descoberta dos URLs, sobretudo em sites maiores ou com muitas páginas novas.

Experiência: Core Web Vitals e HTTPS

O relatório de Core Web Vitals utiliza dados de utilização reais para avaliar grupos de páginas através de métricas como LCP, INP e CLS. Estas métricas ajudam a identificar problemas relacionados com velocidade percebida, capacidade de resposta e estabilidade visual.

O relatório de HTTPS, por sua vez, permite verificar se os URLs indexados estão a ser servidos através de uma ligação segura e identificar casos em que uma versão HTTPS não pôde ser indexada.

Estes relatórios não substituem uma auditoria técnica completa, mas ajudam a perceber onde pode ser necessário envolver o programador ou a equipa responsável pelo site.

Segurança, ações manuais e ligações

Os relatórios de Segurança e Ações manuais merecem atenção especial porque podem revelar problemas com consequências significativas. O primeiro pode indicar situações como conteúdo pirateado, phishing ou software malicioso. O segundo informa se um revisor do Google identificou uma violação das políticas de spam que pode levar páginas, ou mesmo o site, a perder visibilidade nos resultados.

Por fim, o relatório de Ligações mostra uma amostra dos sites que apontam para o domínio, das páginas que recebem mais ligações externas e da estrutura de ligações internas. Não é uma lista completa de todos os backlinks, mas pode ajudar a perceber que conteúdos recebem mais referências e como a autoridade interna está distribuída pelo site.

Google Search Console e Google Analytics: qual a diferença

O Google Search Console e o Google Analytics 4 complementam-se, mas medem momentos diferentes da relação entre uma pessoa e o site. O Search Console concentra-se sobretudo na presença do site nos resultados do Google. O GA4 analisa o tráfego que chega ao site ou aplicação e o que os utilizadores fazem depois dessa visita.

Google Search ConsoleGoogle Analytics 4
Principal objetivoMedir a presença no GoogleAnalisar visitantes e comportamento
Exemplos de métricasImpressões, cliques, CTR, posição médiaUtilizadores, sessões, eventos, envolvimento
Mostra consultas de pesquisaSim, com algumas limitações de privacidadeNão com o mesmo detalhe
Analisa ações dentro do siteMuito limitadoSim
Permite avaliar objetivos importantes do negócioIndiretamenteSim, através de eventos principais
Inclui outros canais de marketingNão da mesma formaSim, incluindo pesquisa orgânica, publicidade, social, email e referências

Na prática, não faz sentido escolher entre uma ferramenta e outra. Uma empresa que queira compreender o percurso desde a pesquisa até à ação do potencial cliente ganha uma visão mais completa quando utiliza ambas.

O que acontece antes do clique e o que acontece depois

Uma forma simples de distinguir as duas ferramentas é pensar no clique num resultado do Google como o ponto de ligação.

O Search Console ajuda a perceber o que acontece na Pesquisa Google. Mostra, por exemplo, quantas vezes uma página apareceu, que consultas fizeram o site surgir nos resultados, quantos cliques recebeu e qual foi a sua posição média.

O Google Analytics 4 ganha importância quando o utilizador chega ao site. Permite analisar de onde vieram as sessões, como os visitantes interagiram com as páginas e se realizaram ações relevantes para a empresa. O GA4 também permite distinguir canais de aquisição, como pesquisa orgânica, pesquisa paga, redes sociais, email e tráfego de referência.

Imagine uma empresa cuja página de um serviço recebeu 8.000 impressões e 300 cliques no Google. O Search Console ajuda a perceber que pesquisas provocaram essas impressões e cliques. Depois, o GA4 pode ajudar a analisar o comportamento das pessoas que chegaram ao site, incluindo eventos importantes, como o envio de um formulário, quando essa medição estiver corretamente configurada.

Assim, o Search Console ajuda a responder a “como estamos a ser encontrados no Google?”, enquanto o Analytics ajuda a responder a “o que acontece quando as pessoas chegam ao site?”.

Porque os números das duas ferramentas nunca coincidem

Comparar os cliques do Search Console diretamente com as sessões do Google Analytics costuma gerar dúvidas. Os valores podem ser próximos, mas não foram concebidos para representar exatamente a mesma métrica.

Um clique registado pelo Search Console representa uma interação com um resultado do Google que conduz ao site. Uma sessão no GA4 depende da recolha de dados no próprio site e segue as regras de medição do Analytics. Por isso, um clique não deve ser tratado automaticamente como uma sessão equivalente.

O próprio Google aponta várias razões para existirem diferenças. O Search Console aplica processamento próprio aos dados, omite determinados dados para proteger a privacidade dos utilizadores e pode utilizar critérios de agregação diferentes. O Analytics, por sua vez, depende da implementação da medição no site e, em contexto Web, da execução de JavaScript.

Também existem diferenças de fuso horário e de disponibilidade dos dados. Nos relatórios de desempenho, o Search Console utiliza normalmente o horário do Pacífico, enquanto o Google Analytics pode estar configurado para outro fuso horário. Isto significa que até uma comparação do mesmo dia pode incluir períodos ligeiramente diferentes.

Por isso, estas ferramentas devem ser usadas para responder a perguntas diferentes, e não para tentar fazer os totais coincidir. O Search Console ajuda a avaliar a visibilidade e os cliques provenientes do Google. O GA4 permite acompanhar o que esse tráfego faz depois de chegar ao site.

Como configurar o Google Search Console passo a passo

Configurar o Google Search Console começa por adicionar o site como uma propriedade e demonstrar ao Google que existe autorização para o gerir. Depois da verificação, vale a pena submeter o sitemap e definir corretamente quem pode aceder aos dados. A configuração não altera o posicionamento do site por si só. Serve para criar acesso aos relatórios e ferramentas que permitem acompanhar a sua presença na Pesquisa Google.

O processo pode ser resumido assim:

  1. Entrar no Google Search Console com uma conta Google.
  2. Adicionar uma nova propriedade.
  3. Escolher entre propriedade de domínio e prefixo de URL.
  4. Concluir a verificação de propriedade.
  5. Confirmar e submeter o sitemap.
  6. Adicionar os restantes utilizadores com as permissões adequadas.

Propriedade de domínio ou prefixo de URL: qual escolher

Para a maioria das empresas, a propriedade de domínio oferece uma visão mais completa. Ao adicionar empresa.pt, o Search Console reúne dados das diferentes versões do domínio, incluindo HTTP, HTTPS e subdomínios como www.empresa.pt ou loja.empresa.pt. Este tipo de propriedade só pode ser verificado através de DNS.

Uma propriedade de prefixo de URL cobre apenas os endereços que começam exatamente pelo prefixo indicado. Por exemplo, https://www.empresa.pt/ não inclui automaticamente http://empresa.pt/ ou outro subdomínio. Em contrapartida, oferece mais métodos de verificação e pode ser útil quando se pretende acompanhar apenas uma parte específica do site.

Verificar a propriedade: DNS, ficheiro HTML, Google Analytics ou Tag Manager

A verificação confirma que a pessoa tem controlo suficiente sobre o site. O método disponível depende do tipo de propriedade.

Numa propriedade de domínio, a verificação é feita através de um registo DNS no fornecedor do domínio. Pode ser necessário entrar no painel onde o domínio é gerido e adicionar o registo indicado pelo Google.

Nas propriedades de prefixo de URL, existem mais opções. Entre elas estão o carregamento de um ficheiro HTML no servidor, a utilização do Google Analytics, o Google Tag Manager e outros métodos indicados pelo Search Console. A escolha deve depender dos acessos que a empresa já possui e da configuração técnica do site.

É importante não eliminar posteriormente o ficheiro, código ou registo utilizado para a verificação, porque alguns métodos dependem da permanência desse elemento para manter o acesso verificado.

Submeter o sitemap depois da verificação

Depois de verificar a propriedade, abra Sitemaps e indique o endereço do sitemap, frequentemente algo semelhante a sitemap.xml. Submeter o sitemap significa informar o Google sobre a localização desse ficheiro. O ficheiro continua alojado no próprio site.

O sitemap facilita a descoberta das páginas que a empresa considera relevantes, sobretudo em sites grandes ou sujeitos a atualizações frequentes. No entanto, a sua submissão não garante que todas as páginas sejam rastreadas ou indexadas.

Dar acesso à agência sem entregar a conta

Uma empresa não precisa de partilhar a palavra-passe da sua conta Google para que uma agência, consultor ou programador utilize o Search Console. Um proprietário pode adicionar outros utilizadores em Definições > Utilizadores e permissões e atribuir apenas o nível de acesso necessário.

PermissãoO que permiteQuando faz sentido
ProprietárioControlo total, incluindo gestão de utilizadores e definiçõesResponsável interno pelo site ou parceiro que realmente necessita de controlo administrativo
Utilizador completoConsulta todos os dados e pode executar algumas açõesAgência ou especialista que gere SEO regularmente
Utilizador restritoConsulta limitada dos dadosPessoas que apenas precisam de acompanhar determinados relatórios

Sempre que possível, a empresa deve manter pelo menos um proprietário verificado sob o seu próprio controlo. Uma agência pode receber acesso individual com as permissões necessárias e esse acesso pode ser retirado posteriormente sem alterar credenciais nem transferir a propriedade da conta.

Como ler o relatório de desempenho para tomar decisões

O relatório de Desempenho ganha valor quando deixa de ser apenas um conjunto de métricas e passa a responder a perguntas concretas. Cliques, impressões, CTR e posição média devem ser analisados em conjunto, comparando períodos e segmentando os dados por consultas e páginas. O próprio Google recomenda observar tendências ao longo do tempo e investigar alterações relevantes, em vez de tirar conclusões a partir de oscilações de poucos dias.

Consultas com muitas impressões e poucos cliques

Uma consulta com muitas impressões mostra que o Google já considera o site relevante o suficiente para o apresentar com frequência. Se os cliques forem reduzidos, existe uma oportunidade a investigar. O problema pode estar na posição, no título apresentado, na intenção de pesquisa ou simplesmente na presença de resultados concorrentes mais apelativos. O Google também sugere procurar consultas com muitas impressões e CTR baixo para identificar oportunidades de melhoria.

Um exemplo de leitura poderia ser:

ConsultaImpressõesCliquesCTRPosição média
limpeza de escritórios lisboa4.200842,0%6,8
empresa de limpeza lisboa1.9001528,0%2,9
limpeza profissional escritórios1.350272,0%7,4

Exemplo ilustrativo. Numa análise real, estes valores devem ser substituídos pelos dados da propriedade no Search Console.

A primeira consulta merece atenção porque já tem procura e visibilidade. Antes de alterar a página, convém verificar que URL aparece para essa pesquisa, comparar o período com os meses anteriores e observar os resultados do Google. A prioridade não deve ser aumentar o CTR isoladamente, mas perceber se a página responde bem à intenção de quem pesquisa.

Páginas que descem de posição de um mês para o outro

Comparar períodos ajuda a detetar páginas que estão a perder visibilidade. No relatório de Desempenho, pode selecionar dois intervalos equivalentes, por exemplo, os últimos 28 dias e os 28 dias anteriores, e analisar as diferenças por página ou consulta.

Uma descida da posição média não significa automaticamente que existe um problema técnico ou uma penalização. A posição é uma média e pode mudar devido às consultas que ativaram a página, aos dispositivos, países e diferentes formatos dos resultados de pesquisa.

Por isso, uma página que caiu de posição deve ser analisada juntamente com as impressões e os cliques. Se os três indicadores piorarem de forma consistente, pode justificar uma revisão do conteúdo, da intenção de pesquisa, da concorrência e do estado técnico da página.

Pesquisas pela marca e pesquisas sem marca

Separar pesquisas de marca e sem marca ajuda a perceber de onde vem a visibilidade orgânica. Uma pesquisa como “ClaraLimp limpeza” pressupõe que a pessoa já conhece a empresa. Uma pesquisa como “empresa de limpeza em Lisboa” pode representar alguém que ainda está a comparar alternativas.

O Search Console disponibiliza um filtro específico para consultas de marca e sem marca em propriedades elegíveis. O Google alerta, contudo, que esta classificação é informativa e pode identificar algumas consultas incorretamente.

Para a gestão, esta distinção é importante. Um aumento de cliques provenientes apenas do nome da empresa conta uma história diferente de um aumento em pesquisas genéricas relacionadas com os serviços. As primeiras ajudam a acompanhar a procura pela marca. As segundas mostram até que ponto o site está a alcançar pessoas que ainda não procuravam diretamente pela empresa.

Pesquisa com IA: o que o Search Console conta e o que não conta

Desde 2026, o Search Console disponibiliza um relatório específico de Generative AI para a Pesquisa Google. O relatório inclui impressões provenientes de funcionalidades como AI Overviews e AI Mode e permite analisar essa visibilidade por página, país, dispositivo e data. O Google indicou que este relatório passou a estar disponível globalmente em 31 de agosto de 2026.

Os dados destas experiências também entram nos totais do relatório normal de Desempenho. Quando alguém clica numa ligação externa apresentada no AI Mode ou num AI Overview, esse clique é contabilizado segundo as regras do Search Console.

Existem, porém, limites importantes. O relatório dedicado de IA mostra atualmente impressões, mas não apresenta os cliques atribuídos separadamente a essas funcionalidades nem revela as consultas ou perguntas individuais que originaram cada aparição. Também não inclui experiências ainda em desenvolvimento no Search Labs.

Para uma empresa, isto significa que já é possível acompanhar se as suas páginas estão a ganhar ou perder presença nas experiências de pesquisa com IA, mas ainda não existe o mesmo nível de detalhe disponível no relatório tradicional de consultas. A leitura deve, por isso, combinar os dois relatórios em vez de tentar analisar a pesquisa com IA de forma totalmente isolada.

O que um gestor deve ver no Search Console todos os meses

Um gestor não precisa de abrir o Google Search Console todos os dias nem de acompanhar cada detalhe técnico. Uma revisão mensal bem estruturada é suficiente para perceber se a visibilidade orgânica está a evoluir normalmente e para identificar situações que merecem uma análise mais profunda. A própria documentação do Google recomenda observar tendências de desempenho e investigar alterações significativas, em vez de reagir a pequenas oscilações.

Checklist mensal do Search Console:

  • Comparar cliques e impressões com o período anterior. Veja os últimos 28 dias face aos 28 dias anteriores. Quando existe sazonalidade no negócio, compare também com o mesmo período do ano anterior. Uma queda significativa nos cliques deve ser analisada juntamente com as impressões para perceber se o problema está na procura, na visibilidade ou na capacidade de gerar visitas.
  • Identificar páginas que mais cresceram ou perderam tráfego. Em vez de olhar apenas para o total do site, abra a dimensão “Páginas” e procure alterações relevantes. Se uma página importante perdeu cliques e impressões de forma consistente, vale a pena investigar as consultas associadas, alterações no conteúdo e possíveis problemas técnicos.
  • Analisar as pesquisas mais importantes para o negócio. Verifique que consultas estão a gerar cliques e quais acumulam muitas impressões sem conseguir atrair visitas. O objetivo não é acompanhar diariamente cada posição, mas perceber se a empresa continua visível para pesquisas ligadas aos seus serviços e às necessidades dos potenciais clientes. O Google recomenda dar especial atenção às tendências de cliques e impressões, e não apenas à posição média.
  • Confirmar que as páginas importantes continuam indexadas. O relatório de Indexação permite acompanhar URLs indexados e não indexados. Um aumento no número de páginas excluídas não significa necessariamente que exista um problema, porque determinadas exclusões são normais. O sinal de alerta é encontrar páginas importantes para o negócio que deveriam estar no Google e deixaram de estar indexadas.
  • Verificar o sitemap e novos erros de rastreamento ou indexação. Se foram publicados novos serviços, artigos ou áreas do site, confirme se o sitemap continua a ser processado corretamente e se não surgiram problemas inesperados. O Google recomenda verificar periodicamente o estado dos sitemaps submetidos.
  • Consultar Core Web Vitals quando existirem dados suficientes. Procure novos grupos de URLs classificados como “fracos” ou “necessitam de melhorias”. O relatório utiliza dados de utilização real e avalia métricas como LCP, INP e CLS. Nem todos os sites apresentam dados suficientes para que todas as páginas apareçam neste relatório.
  • Confirmar que não existem alertas graves. A página de visão geral permite detetar rapidamente ações manuais e problemas de segurança. Se o Google identificar uma nova ocorrência, também pode enviar uma notificação. Uma ação manual pode fazer com que algumas ou todas as páginas deixem de aparecer nos resultados, por isso estes avisos devem ser tratados com prioridade.

Esta revisão pode transformar o Search Console num painel de alerta para a gestão, em vez de numa ferramenta técnica difícil de interpretar. O objetivo mensal é perceber se a empresa está a ganhar ou perder presença no Google, quais páginas estão a provocar essa mudança e se existe algum problema que exija a intervenção da equipa de marketing, agência ou programador.

Perguntas frequentes sobre o Search Console

O Google Search Console é pago?

Não. O Google Search Console é uma ferramenta gratuita do Google. Uma empresa pode adicionar o seu site, consultar dados de desempenho, acompanhar a indexação e utilizar as restantes funcionalidades sem pagar uma subscrição.

Isso não significa que trabalhar SEO seja necessariamente gratuito. Uma empresa pode precisar de uma agência, especialista, programador ou ferramentas adicionais para analisar os dados e implementar melhorias. O acesso ao Search Console em si, porém, não tem custo.

Como entrar no Google Search Console?

Para entrar no Google Search Console é necessário utilizar uma conta Google e aceder ao serviço. Se o site já estiver associado a essa conta, basta selecionar a propriedade correspondente. Caso ainda não esteja configurado, é necessário adicionar uma nova propriedade e verificar que existe autorização para gerir o site.

Uma empresa não precisa de criar uma conta Google partilhada por toda a equipa. O proprietário da propriedade pode conceder acesso a outros utilizadores, permitindo que responsáveis de marketing, agências ou programadores utilizem o Search Console com as suas próprias contas.

O Google Webmaster Tools ainda existe?

Não com esse nome. Google Webmaster Tools era o nome anterior do Google Search Console. O Google anunciou a mudança de nome em maio de 2015 porque a ferramenta já era utilizada por muito mais pessoas do que apenas webmasters, incluindo empresários, profissionais de marketing, especialistas em SEO, programadores e designers.

Por isso, referências antigas a “Google Webmaster Tools” normalmente estão a falar do serviço que hoje conhecemos como Google Search Console. A ferramenta evoluiu bastante desde então, mas não é necessário procurar ou instalar um produto separado com o nome antigo.

Um site feito em Wix, Shopify ou WordPress também precisa do Search Console?

Sim. A plataforma utilizada para construir o site não elimina a utilidade do Search Console. Um site criado em Wix, Shopify ou WordPress também pode beneficiar da informação sobre pesquisas, cliques, indexação e possíveis problemas técnicos.

O que pode mudar é a forma de fazer a verificação. O Google explica que plataformas de alojamento e sistemas de gestão de conteúdos podem oferecer definições ou integrações que simplificam o processo. No WordPress, por exemplo, o Google refere o Site Kit como uma opção capaz de tratar da verificação e apresentar alguns dados do Search Console.

Independentemente da tecnologia utilizada, o princípio é o mesmo: se o site é importante para captar clientes através da Pesquisa Google, vale a pena acompanhar a forma como o Google o encontra, indexa e apresenta nos resultados.