Websites1 de outubro de 2026

Como funciona o GA4 numa empresa: do clique ao relatório

Eventos e parâmetros, os relatórios que uma PME deve ler, como medir formulários e cliques de contacto e o que o consentimento deixa por medir no GA4.

Dappio

O que é o Google Analytics 4 e para que serve numa empresa

O Google Analytics 4, normalmente abreviado para GA4, é a plataforma de análise da Google usada para perceber como as pessoas chegam a um site ou aplicação e o que fazem depois de entrar. Numa empresa, transforma interações digitais em dados que ajudam a avaliar marketing, conteúdos e geração de contactos.

Na prática, o GA4 permite acompanhar desde uma visita vinda do Google até ações como consultar uma página de serviço, clicar num número de telefone ou enviar um formulário. Em vez de olhar apenas para o número de visitas, a empresa consegue perceber que canais atraem utilizadores, como estes interagem com o site e quais dessas interações contribuem para os objetivos do negócio. A própria Google define o Analytics como uma plataforma que recolhe dados de websites e aplicações para criar relatórios com informação sobre a atividade da empresa.

A ferramenta gratuita do Google que substituiu o Universal Analytics

O GA4 é a geração atual do Google Analytics. A versão standard pode ser utilizada gratuitamente, embora exista também o Google Analytics 360, uma solução paga destinada sobretudo a organizações com necessidades e volumes de dados mais elevados.

O GA4 substituiu o Universal Analytics, conhecido como UA, mas não se limitou a mudar a interface. Alterou também a forma como os dados são organizados. Enquanto o Universal Analytics era fortemente orientado para sessões, o GA4 utiliza um modelo baseado em eventos. Uma visualização de página, um clique, uma pesquisa interna ou o envio de um formulário podem ser registados como eventos, aos quais podem ser acrescentadas informações adicionais através de parâmetros.

As propriedades standard do Universal Analytics deixaram de processar novos dados em 1 de julho de 2023. No caso do Universal Analytics 360, esse processamento terminou em 1 de julho de 2024. Atualmente, uma nova implementação do Google Analytics deve ser feita em GA4.

As perguntas de negócio a que o GA4 responde

O valor do GA4 não está em acumular métricas. Está em transformar o comportamento no site em respostas úteis para decisões concretas.

Uma empresa pode usá-lo para perceber, por exemplo:

  • quantas pessoas chegam ao site e quantas são utilizadores novos;
  • se os visitantes vêm da pesquisa orgânica, anúncios, redes sociais, referências ou acesso direto;
  • que páginas e conteúdos recebem mais atenção;
  • que campanhas trazem tráfego com maior envolvimento;
  • quantos utilizadores enviam formulários ou realizam outras ações importantes;
  • que páginas participam no percurso antes de um contacto;
  • como o comportamento varia entre dispositivos, canais ou campanhas.

Os relatórios de aquisição do GA4 ajudam a perceber como os utilizadores encontraram o site, enquanto os relatórios de envolvimento mostram o que fizeram depois de chegar.

Isto não significa que o GA4 explique sozinho porque uma campanha funcionou ou porque um cliente decidiu comprar. A ferramenta regista e organiza comportamentos observáveis. A interpretação continua a depender do contexto da empresa, dos seus objetivos e da qualidade da configuração.

Por isso, antes de olhar para gráficos, convém começar por perguntas de negócio. De onde chegam os potenciais clientes? Que conteúdos consultam antes de contactar? Que campanhas geram ações relevantes? Em que páginas abandonam o percurso? Quando o GA4 está configurado para responder a perguntas deste tipo, deixa de ser apenas uma ferramenta de estatísticas e passa a apoiar decisões de marketing e gestão.

Como funciona o GA4 por dentro: conta, propriedade e fluxo de dados

Para perceber como funciona o GA4, é útil separar duas coisas: onde os dados ficam organizados e como chegam até lá. A estrutura define a que empresa, site ou aplicação pertencem os dados. A tag instalada no site encarrega-se de recolher as interações e enviá-las para o Google Analytics.

Conta, propriedade e fluxo de dados: a hierarquia de uma instalação

O GA4 organiza a medição em níveis. Para uma PME com um único site, a configuração mais comum é relativamente simples: uma conta do Analytics, uma propriedade GA4 e um fluxo de dados Web. A Google recomenda, em geral, uma única propriedade e um único fluxo Web quando os dados pertencem à mesma base lógica de utilizadores.

NívelO que representaExemplo numa empresa
ContaO nível principal que agrupa as propriedadesEmpresa ABC
Propriedade GA4O espaço onde os dados são recolhidos, tratados e apresentadosWebsite da Empresa ABC
Fluxo de dadosA origem a partir da qual os dados entram na propriedadewww.empresa.pt
ID de mediçãoO identificador que liga o site ao fluxo corretoG-XXXXXXXXXX

Uma propriedade pode receber dados de diferentes plataformas. Por exemplo, uma empresa com um website e aplicações para Android e iOS pode ter um fluxo para a Web e fluxos separados para cada aplicação.

Esta hierarquia é importante porque evita um erro frequente: tratar cada página ou campanha como se precisasse de uma propriedade diferente. Normalmente, páginas, campanhas e origens de tráfego são analisadas dentro da mesma propriedade.

A tag do Google: como os dados saem do site e chegam ao GA4

Criar uma propriedade no GA4 não é suficiente para começar a medir. O site precisa de estar ligado ao fluxo de dados através da tag do Google.

Essa tag é um fragmento de código associado a um identificador de medição que normalmente começa por G-. O identificador indica ao Google Analytics para que fluxo devem ser enviados os dados recolhidos no site.

A instalação pode ser feita diretamente no código do website, através de uma integração do sistema de gestão de conteúdos ou usando o Google Tag Manager. Independentemente do método, o princípio é o mesmo: quando determinadas interações acontecem, a implementação envia informação para o GA4.

Por exemplo, quando alguém abre uma página, a tag pode enviar um evento de visualização acompanhado de dados como o endereço da página, o título e outras informações relevantes. Outros eventos podem registar cliques, pesquisas internas, formulários ou ações configuradas especificamente para aquele negócio.

A qualidade dos relatórios depende, por isso, da qualidade desta implementação. Se a tag estiver ausente em determinadas páginas, tiver o ID errado ou os eventos estiverem mal configurados, o GA4 não consegue reconstruir corretamente aquilo que aconteceu no site.

Do evento ao relatório: o percurso de um dado

Entre um clique no website e um número apresentado num relatório existem várias etapas. De forma simplificada, o percurso pode ser representado assim:

  1. O utilizador realiza uma ação.
  2. O site e a tag identificam a interação.
  3. É enviado um evento com os respetivos parâmetros.
  4. O evento entra no fluxo de dados da propriedade GA4.
  5. O Google Analytics trata e organiza os dados.
  6. A informação fica disponível em relatórios e explorações.

Nem todos estes passos acontecem instantaneamente. O relatório Tempo Real permite confirmar rapidamente se estão a chegar dados, enquanto muitos relatórios e explorações podem precisar de 24 a 48 horas para apresentar dados processados de forma mais completa. Durante esse período, alguns valores ainda podem mudar.

É neste percurso que se encontra a lógica central do GA4: o utilizador faz algo, essa ação é registada como um evento e o Analytics transforma esses eventos em informação que pode ser analisada. Para compreender o que realmente está a ser medido, o passo seguinte é perceber como funcionam esses eventos e os parâmetros que lhes dão contexto.

Eventos e parâmetros: o modelo de dados do GA4

No GA4, praticamente tudo o que interessa medir é organizado em torno de eventos. Esta é uma das principais diferenças face ao Universal Analytics e ajuda a perceber porque ações tão diferentes como abrir uma página, fazer scroll ou concluir uma compra podem ser analisadas dentro do mesmo modelo de dados.

O que é um evento e o que é um parâmetro

Um evento representa uma interação ou ocorrência num site ou aplicação. Pode indicar, por exemplo, que alguém visualizou uma página, clicou num link ou realizou uma compra. Os parâmetros acrescentam contexto a esse evento, permitindo perceber com maior detalhe o que aconteceu.

Imagine que um visitante descarrega o ficheiro catalogo.pdf. O GA4 pode registar:

  • Evento: file_download
  • Parâmetro file_name: catalogo.pdf
  • Parâmetro link_url: endereço do ficheiro

O evento responde à pergunta "o que aconteceu?". Os parâmetros ajudam a responder "onde?", "qual?" ou "com que características?". Esta combinação permite analisar várias interações sem precisar de criar uma métrica diferente para cada situação.

Eventos recolhidos automaticamente e medição otimizada

Nem todos os eventos precisam de ser configurados manualmente. Alguns são recolhidos automaticamente quando o GA4 está instalado. Outros ficam disponíveis através da medição otimizada, uma funcionalidade dos fluxos de dados Web que permite acompanhar interações comuns sem adicionar código específico para cada uma.

TipoEventoO que pode indicar
Automáticosession_startInício de uma sessão
Automáticofirst_visitPrimeira visita desse utilizador ao site
Automáticouser_engagementEnvolvimento do utilizador com o site
Medição otimizadapage_viewVisualização de uma página
Medição otimizadascrollPrimeira vez que cerca de 90% da página fica visível
Medição otimizadaclickClique num link que leva para outro domínio
Medição otimizadaview_search_resultsVisualização de resultados de pesquisa interna
Medição otimizadafile_downloadClique num link para descarregar determinados tipos de ficheiro
Medição otimizadaform_start e form_submitInteração inicial e envio de formulários

A medição otimizada também pode acompanhar determinados vídeos incorporados do YouTube. Estas opções podem ser ativadas ou desativadas no fluxo de dados.

Importa não interpretar nomes de eventos de forma demasiado ampla. Por exemplo, o evento click da medição otimizada destina-se a cliques em links externos, não a todos os botões existentes no site.

Eventos recomendados e eventos personalizados

Quando uma interação importante não está coberta pelos eventos automáticos, o GA4 disponibiliza uma lista de eventos recomendados. Estes têm nomes e parâmetros definidos pela Google para situações comuns.

Um exemplo particularmente relevante para empresas é generate_lead, recomendado quando um utilizador envia um formulário ou pedido de informação. Para comércio eletrónico existem eventos como add_to_cart, begin_checkout e purchase. A utilização das convenções recomendadas ajuda o GA4 a interpretar os dados e a disponibilizá-los em funcionalidades e relatórios compatíveis.

Se nenhum evento automático ou recomendado representar corretamente a ação que a empresa precisa de medir, pode ser criado um evento personalizado. Essa flexibilidade é útil, mas deve ser usada com critério. Criar nomes diferentes para a mesma ação torna os relatórios mais difíceis de manter e interpretar.

A ordem prática é simples: verificar primeiro se o GA4 já recolhe a interação, depois procurar um evento recomendado e só então recorrer a um evento personalizado.

Utilizadores, sessões e envolvimento: as métricas que mudaram face ao Universal Analytics

A mudança para eventos não significa que utilizadores e sessões tenham desaparecido. O GA4 continua a medi-los, mas alterou algumas definições e passou a dar mais importância ao envolvimento.

ConceitoUniversal AnalyticsGA4
Modelo principalFortemente baseado em sessões e diferentes tipos de hitsBaseado em eventos e parâmetros
EventosEstrutura habitual de categoria, ação e etiquetaCada interação é um evento com parâmetros
Utilizadores nos relatóriosMaior foco em utilizadores totaisMaior foco em utilizadores ativos
SessõesMétrica central na análise do comportamentoContinua disponível, integrada no modelo de eventos
EnvolvimentoMuito associado a duração, páginas por sessão e taxa de rejeiçãoIntroduz sessões com envolvimento, tempo de envolvimento e taxa de envolvimento

A Google considera uma sessão com envolvimento quando esta dura mais de 10 segundos, inclui pelo menos um evento-chave ou apresenta pelo menos duas visualizações de página ou ecrã. A taxa de envolvimento corresponde à percentagem de sessões que cumprem estes critérios.

Também é importante ter cuidado ao comparar números antigos do Universal Analytics com dados atuais do GA4. Por exemplo, o GA4 dá destaque aos utilizadores ativos, enquanto o Universal Analytics se concentrava mais nos utilizadores totais, e existem diferenças adicionais na forma como ambas as plataformas tratam identidade e sessões.

Assim, uma migração para GA4 não deve procurar reproduzir cada métrica antiga de forma idêntica. O objetivo é compreender o novo modelo e escolher os eventos e métricas que melhor representam as ações que realmente têm valor para a empresa.

Como medir contactos no GA4 com eventos-chave

Para muitas empresas, uma visita só ganha verdadeiro valor quando resulta numa ação comercial: um formulário enviado, um pedido de orçamento ou outra tentativa de contacto. No GA4, estas ações podem ser registadas como eventos e, quando são especialmente importantes para o negócio, assinaladas como eventos-chave.

Eventos-chave: o nome atual das antigas conversões

O GA4 passou a chamar eventos-chave aos eventos que representam ações particularmente importantes para uma empresa. Antes, estas ações eram designadas conversões dentro do Google Analytics. Atualmente, o termo conversão é usado sobretudo para ações utilizadas na medição e otimização de campanhas publicitárias, incluindo no Google Ads.

O princípio é simples: primeiro existe um evento e depois decide se esse evento tem importância suficiente para ser marcado como evento-chave.

Por exemplo, uma visualização de página pode ser útil para analisar conteúdos, mas normalmente não representa, por si só, um objetivo comercial. Já o envio confirmado de um pedido de contacto pode justificar essa classificação.

Para formulários de geração de leads, a Google recomenda o evento generate_lead. Este pode ser criado, por exemplo, quando o utilizador chega a uma página de confirmação depois de enviar o formulário.

Marcar um evento como chave permite depois analisar que canais, campanhas e páginas contribuíram para essas ações. Se a propriedade estiver ligada ao Google Ads, também é possível criar conversões publicitárias com base nesses eventos-chave.

Que contactos medir num site de empresa: formulário, telefone, email e WhatsApp

Nem todos os contactos deixam o mesmo sinal dentro de um website. Por isso, a implementação deve distinguir aquilo que o GA4 consegue confirmar daquilo que apenas indica intenção.

ContactoEvento possívelO que realmente mede
Formulário enviadogenerate_leadUm pedido enviado e confirmado pelo site
Clique no telefoneclick_phoneClique num link para iniciar uma chamada
Clique no emailclick_emailClique num endereço de email
Clique no WhatsAppclick_whatsappAbertura de uma conversa ou ligação para o WhatsApp

Os nomes dos três últimos eventos são exemplos de eventos personalizados. A nomenclatura pode variar, desde que seja definida de forma consistente.

Esta distinção evita conclusões erradas. Um clique num número de telefone não prova que a chamada aconteceu. Um clique num endereço de email também não confirma que a mensagem foi enviada. Da mesma forma, abrir o WhatsApp não significa necessariamente que houve uma conversa.

O formulário pode oferecer um sinal mais forte quando o evento é disparado apenas depois de o site confirmar que os dados foram recebidos. Por isso, é preferível medir o sucesso do envio e não apenas o clique no botão "Enviar".

Também não é obrigatório transformar todas estas interações em eventos-chave. A escolha deve refletir aquilo que a empresa considera um contacto relevante e que consegue interpretar de forma consistente.

Da lead no GA4 ao negócio fechado no CRM

O GA4 consegue mostrar que uma pessoa chegou ao site e realizou uma ação de contacto. Normalmente, porém, não sabe se essa lead tinha qualidade, recebeu uma proposta ou acabou por se tornar cliente. Essa parte do percurso costuma acontecer no CRM ou noutra ferramenta comercial.

Ideia-chave: o GA4 mede a geração da oportunidade no ambiente digital; o CRM acompanha o que acontece comercialmente depois dessa oportunidade.

A própria Google disponibiliza eventos recomendados para etapas posteriores do funil, como qualify_lead, para uma lead considerada qualificada, working_lead, quando está a ser acompanhada, e close_convert_lead, quando termina numa conversão.

Quando a empresa investe em Google Ads, os dados do CRM também podem ser usados para devolver resultados offline à plataforma. As conversões melhoradas para leads permitem associar dados recolhidos no site ao resultado posterior registado no CRM, ajudando a distinguir uma simples lead de uma lead que realmente avançou no processo comercial.

Esta ligação é importante porque contar contactos é apenas o primeiro nível de análise. Para uma empresa, a pergunta mais útil acaba por ser outra: que canais e campanhas estão a gerar leads que se transformam em negócio?

Os relatórios do GA4 que interessam a uma PME

O GA4 disponibiliza muitos relatórios, mas uma PME raramente precisa de consultar todos. O mais útil é criar uma rotina simples que responda a quatro perguntas: de onde chegam os visitantes, que conteúdos consomem, que ações importantes realizam e onde existem oportunidades de melhoria.

Checklist mensal do GA4

  • comparar utilizadores, sessões e eventos-chave com o período anterior;
  • identificar os canais e campanhas que geram mais tráfego e contactos;
  • verificar as páginas mais visitadas e as que contribuem para eventos-chave;
  • procurar alterações anormais de tráfego ou comportamento;
  • confirmar se os principais eventos continuam a ser registados corretamente;
  • usar Explorações quando os relatórios padrão não respondem a uma pergunta específica.

Aquisição: de onde vêm os visitantes

Os relatórios de aquisição ajudam a perceber como as pessoas encontram o site. O relatório de aquisição de utilizadores concentra-se na forma como novos utilizadores foram adquiridos. Já o relatório de aquisição de tráfego analisa a origem das sessões de utilizadores novos e recorrentes.

É aqui que uma empresa pode comparar pesquisa orgânica, pesquisa paga, redes sociais, referências de outros sites, email ou tráfego direto.

Mais importante do que perguntar apenas qual canal trouxe mais visitas é cruzar aquisição com resultados. Um canal com menos sessões pode ser mais interessante se gerar uma proporção superior de eventos-chave. Da mesma forma, uma campanha com muito tráfego pode precisar de revisão se quase ninguém realizar as ações que interessam ao negócio.

Envolvimento: que páginas são lidas e quais convertem

Os relatórios de envolvimento mostram o que os utilizadores fazem depois de chegar ao site, incluindo os conteúdos que visitam e os eventos que realizam.

Numa PME, esta análise pode ajudar a identificar páginas que atraem atenção, conteúdos com pouco envolvimento e páginas associadas a contactos ou outras ações relevantes.

Imagine que uma página de serviço recebe muitas visitas, mas quase não gera eventos-chave. Isso não prova que exista um problema na página, mas cria uma boa pergunta para investigação. A proposta pode estar pouco clara, o visitante pode não encontrar facilmente a forma de contacto ou o tráfego recebido pode não corresponder à intenção certa.

Por isso, páginas vistas e tempo de envolvimento tornam-se mais úteis quando são analisados juntamente com aquisição e eventos-chave.

Tempo real e DebugView: confirmar que a medição funciona

Nem todos os relatórios servem para analisar desempenho histórico. O Tempo Real e o DebugView são especialmente úteis para verificar se a implementação está a funcionar.

O relatório Tempo Real mostra atividade recente no site, incluindo utilizadores ativos, páginas visualizadas, eventos e eventos-chave. Pode ser usado, por exemplo, para abrir o site, realizar uma ação e confirmar se essa interação está a chegar ao GA4.

O DebugView vai mais longe e permite acompanhar eventos provenientes de um dispositivo em modo de depuração. É particularmente útil durante a configuração ou teste de eventos e respetivos parâmetros. A Google recomenda estas ferramentas para confirmar a recolha porque muitos relatórios e explorações podem demorar entre 24 e 48 horas a processar os dados.

Ver um evento no Tempo Real, porém, não significa automaticamente que esteja bem configurado. Convém confirmar também o nome, os parâmetros e o momento em que é acionado.

Explorações: funis e caminhos quando os relatórios padrão não chegam

Os relatórios padrão permitem acompanhar as métricas mais frequentes, mas algumas perguntas exigem uma análise mais detalhada. É para isso que existe a área Explorar.

Uma exploração de funil permite definir etapas de um percurso e perceber quantos utilizadores avançam ou abandonam em cada uma. Pode ser útil para analisar um processo como página de serviço, início de formulário e contacto concluído.

A exploração do caminho parte de uma página ou evento e mostra as ações que acontecem antes ou depois. Assim, uma empresa pode investigar que páginas são visitadas antes de um evento-chave ou para onde os utilizadores seguem depois de consultar determinado conteúdo.

Para uma PME, o objetivo não deve ser produzir relatórios cada vez mais complexos. Deve ser usar o nível de análise necessário para responder a uma pergunta concreta. Quando essa disciplina existe, o GA4 deixa de ser um painel cheio de números e passa a funcionar como uma ferramenta regular de acompanhamento do desempenho digital.

O que o GA4 não mostra: consentimento, limites e dados em falta

Os números do GA4 não correspondem necessariamente a todas as pessoas que passaram por um site. Entre a visita e o relatório existem escolhas de consentimento, regras de privacidade, processamento e limites técnicos que podem fazer com que alguns dados não sejam recolhidos ou não apareçam numa determinada análise.

Por isso, uma diferença entre o GA4 e outra fonte, como o CRM ou os registos do servidor, não significa automaticamente que exista um erro de configuração.

Consentimento de cookies e Consent Mode: porque faltam visitas

Quando um site utiliza uma plataforma de gestão de consentimento, a decisão do visitante pode alterar aquilo que o GA4 consegue recolher. O Consent Mode permite comunicar essas escolhas às tags da Google para que estas adaptem o seu comportamento. O parâmetro analytics_storage, por exemplo, controla a utilização de armazenamento, como cookies, relacionado com Analytics.

O resultado depende também da forma como o Consent Mode é implementado.

Na implementação básica, as tags da Google são bloqueadas até existir uma interação com o banner de consentimento. Se o utilizador não autorizar a medição, essas tags não enviam dados para a Google. Na implementação avançada, as tags podem carregar com o consentimento inicialmente definido como recusado e ajustar o comportamento quando a escolha do utilizador é conhecida.

Isto ajuda a explicar por que razão o número de utilizadores no GA4 pode ser inferior ao número real de visitas ao site. Em determinadas implementações elegíveis, o GA4 pode ainda utilizar modelação comportamental para estimar parte do comportamento dos utilizadores que recusaram cookies de Analytics com base em utilizadores semelhantes que deram consentimento. Essa modelação tem requisitos próprios e não equivale a recuperar individualmente as visitas que não foram observadas.

O Consent Mode também não substitui o banner de cookies nem determina, por si só, que consentimento deve ser pedido. A sua função é transmitir à Google as escolhas recolhidas pela solução de consentimento.

Retenção de dados, limiares e amostragem

Mesmo quando os dados foram recolhidos, podem existir diferenças entre aquilo que está armazenado e aquilo que aparece numa análise específica.

Nas propriedades GA4 standard, a retenção de dados ao nível do utilizador e do evento pode ser configurada para 2 ou 14 meses. Esta definição é particularmente relevante para Explorações e outras análises que dependem desses dados detalhados.

Existem ainda limiares de dados. A Google pode ocultar informação em determinados relatórios ou explorações quando o número de utilizadores é reduzido e existe risco de alguém inferir informação individual, sobretudo em análises que incluem dados demográficos, interesses ou determinadas informações de pesquisa. Esses limiares são definidos pelo sistema e não podem ser ajustados manualmente.

A amostragem é outro conceito diferente. Em vez de processar todos os eventos de uma consulta muito grande, o GA4 pode analisar apenas uma parte e estimar os resultados. Nas propriedades standard, as Explorações podem ser sujeitas a amostragem quando uma consulta ultrapassa 10 milhões de eventos. O indicador de qualidade dos dados mostra quando isso acontece.

Erro comum: assumir que qualquer diferença nos números significa que o GA4 perdeu dados. Antes de concluir isso, é preciso perceber se estamos perante falta de consentimento, dados ainda em processamento, retenção, limiares de privacidade, modelação ou amostragem. São fenómenos diferentes e exigem interpretações diferentes.

O GA4 deve, portanto, ser lido como uma ferramenta de medição sujeita a regras e limitações, não como um registo absoluto de tudo o que aconteceu no site. Conhecer esses limites permite interpretar os relatórios com mais rigor e evita decisões baseadas numa falsa sensação de precisão.

Como começar a usar o GA4 numa empresa: passos de configuração

Uma implementação básica do GA4 não exige uma estrutura complexa, mas convém configurar cada elemento pela ordem certa. O objetivo é garantir que os dados chegam à propriedade correta, que as ações importantes são medidas e que as principais ferramentas de marketing ficam ligadas.

Checklist de configuração

  • criar ou confirmar a conta do Google Analytics;
  • criar a propriedade GA4 e o fluxo de dados Web;
  • instalar a tag do Google no site;
  • testar a recolha no Tempo Real e no DebugView;
  • configurar os eventos necessários para o negócio;
  • marcar como eventos-chave as ações realmente importantes;
  • rever consentimento e funcionamento do banner de cookies;
  • associar Google Ads e Search Console quando fizer sentido;
  • garantir que a empresa mantém acesso administrativo à conta.

Criar a conta e a propriedade

O primeiro passo é criar uma conta do Google Analytics, caso a empresa ainda não tenha uma. Dentro dessa conta é criada uma propriedade GA4, onde ficam os dados e as definições de medição.

Durante a configuração da propriedade são definidos elementos como nome, fuso horário e moeda. Depois, é criado um fluxo de dados Web para o website. É esse fluxo que fornece o identificador necessário para ligar o site ao GA4.

Numa empresa, também é importante pensar desde o início na propriedade da conta. O acesso principal não deve ficar exclusivamente numa conta pessoal de um colaborador, freelancer ou agência. A organização deve manter controlo administrativo e conceder os restantes acessos conforme necessário.

Instalar a tag diretamente ou através do Google Tag Manager

Depois de criar o fluxo de dados, é necessário instalar a tag do Google. Existem várias formas de o fazer.

A tag pode ser adicionada diretamente ao código do site, instalada através de integrações disponíveis em alguns CMS ou implementada com o Google Tag Manager. Na instalação manual, a Google indica que o código deve ser colocado na secção <head> das páginas que se pretende medir.

O Google Tag Manager não é obrigatório para usar o GA4. No entanto, torna-se particularmente útil quando a empresa precisa de gerir várias tags e criar medições adicionais sem alterar diretamente o código do site a cada mudança.

Depois da instalação, convém visitar o site e confirmar no relatório Tempo Real se os dados estão a chegar. A Google indica que a recolha inicial pode demorar até cerca de 30 minutos a surgir nesse relatório.

Definir eventos-chave e ligar o Google Ads e o Search Console

Com a recolha básica ativa, o passo seguinte é adaptar o GA4 aos objetivos da empresa. Isso significa identificar as ações que representam valor, como o envio de um formulário, e garantir que estão corretamente registadas como eventos. As mais importantes podem depois ser marcadas como eventos-chave.

Se a empresa utiliza Google Ads, associar a conta à propriedade GA4 permite fazer circular dados entre as duas plataformas e utilizar eventos-chave na medição de conversões publicitárias. A associação requer permissões adequadas no Analytics e no Google Ads.

A ligação à Search Console tem outra função. Permite trazer para o GA4 dados sobre o desempenho na pesquisa orgânica do Google, incluindo consultas de pesquisa e páginas de destino. Para criar essa associação, é necessário ter acesso de Editor à propriedade GA4 e ser proprietário validado da propriedade correspondente na Search Console.

Uma configuração inicial fica realmente concluída quando a empresa confirma não apenas que existem visitas no GA4, mas também que os eventos importantes aparecem no momento certo e representam corretamente aquilo que aconteceu no site. A partir daí, os relatórios passam a assentar numa base de medição suficientemente sólida para apoiar decisões.

Perguntas frequentes sobre o Google Analytics 4

O GA4 é gratuito?

Sim. A versão standard do Google Analytics pode ser utilizada gratuitamente por empresas para medir websites e aplicações. A Google disponibiliza também o Google Analytics 360, uma versão paga direcionada para organizações com necessidades mais avançadas, maiores volumes de dados e requisitos adicionais de serviço.

Para a maioria das PME, a versão gratuita permite acompanhar aquisição, comportamento, eventos-chave, campanhas e outras métricas essenciais sem pagar uma licença pelo GA4.

Quanto tempo demoram os dados a aparecer no GA4?

Depende do relatório. O Tempo Real apresenta normalmente atividade poucos minutos depois de esta acontecer, sendo útil para confirmar se a implementação está a recolher dados.

Os restantes relatórios não devem ser tratados como instantâneos. Numa propriedade standard, alguns dados intradiários podem ser processados em cerca de 2 a 6 horas, enquanto o tratamento completo pode demorar entre 24 e 48 horas. Durante esse período, os valores apresentados ainda podem mudar.

Por isso, não é aconselhável concluir que existe um problema apenas porque um evento acabou de acontecer e ainda não aparece num relatório normal.

O Universal Analytics ainda funciona?

Não como plataforma para recolher novos dados. As propriedades standard do Universal Analytics deixaram de processar informação em 1 de julho de 2023. Para as propriedades Universal Analytics 360, esse processamento terminou em 1 de julho de 2024.

O GA4 é atualmente a geração do Google Analytics utilizada para novas implementações. Uma empresa que ainda encontre referências a códigos, relatórios ou instruções do Universal Analytics deve confirmar se a sua configuração atual está efetivamente a enviar dados para uma propriedade GA4.

Preciso do Google Tag Manager para usar o GA4?

Não. O Google Tag Manager é uma forma de implementar e gerir a medição, mas não é um requisito para utilizar o GA4.

A tag do Google pode ser instalada diretamente no site ou através de integrações disponibilizadas por determinadas plataformas. O Tag Manager torna-se especialmente útil quando é necessário gerir várias tags, configurar eventos específicos ou fazer alterações frequentes sem editar diretamente o código do website.

Para uma implementação simples, a instalação direta pode ser suficiente. À medida que a medição ganha complexidade, o Google Tag Manager tende a facilitar a organização e manutenção das tags.

Quem deve ser o dono da conta do GA4 numa empresa?

A conta deve permanecer sob controlo da própria empresa, mesmo quando uma agência, freelancer ou colaborador externo gere a configuração e os relatórios. A estrutura recomendada pela Google parte do princípio de que os dados pertencem à entidade empresarial correspondente.

O GA4 permite atribuir diferentes funções aos utilizadores, incluindo Administrador, Editor, Marketer, Analista e Leitor. Um Administrador tem controlo sobre a conta e sobre a gestão de acessos.

Na prática, é prudente garantir que pelo menos uma conta controlada pela empresa mantém acesso administrativo. Prestadores externos podem receber as permissões necessárias para trabalhar sem ficarem como único ponto de acesso. Isto reduz o risco de perder controlo sobre dados históricos e configurações quando muda um colaborador, fornecedor ou agência.